Neoenergia acerta com Biomas e entra no mercado de carbono
A companhia de eletricidade Neoenergia e a Biomas, empresa de projetos ambientais, se uniram para plantar 2 milhões de mudas em área de Mata Atlântica no sul da Bahia. O plano envolve recuperar 1,2 mil hectares de área plantada, com mais de 70 espécies nativas até 2027. Com a iniciativa, a Neoenergia ingressa no segmento de restauração florestal, com foco no mercado de carbono. Ela entra no negócio por meio da joint-venture Carbon2Nature e também inaugura a atuação do setor elétrico no segmento.

Criada no fim de 2022, a Biomas é uma empresa de restauração ecológica que tem entre os sócios o Itaú, Marfrig, Rabobank, Santander, Suzano e Vale. A companhia se une à Carbon2Nature Brasil, joint venture entre a Neoenergia e o braço de carbono da Iberdrola, a Carbon2Nature. A espanhola Iberdrola é a controladora da Neoenergia.
Carbon2Nature Brasil e Biomas criaram uma sociedade de propósito específico (SPE), com 50% de participação de cada uma, para executar o Projeto Muçununga, que terá investimentos da ordem de R$ 55 milhões.
O plano prevê o plantio de quase 2 milhões de mudas de mais de 70 espécies nativas, como araçá, copaíba, guapuruvu, ipê-amarelo e jatobá, em áreas da Veracel Celulose (empresa de produção de celulose com participação da Suzano). O projeto é anunciado meses antes da COP30, conferência mundial sobre o clima, em Belém (PA), em novembro. E seis meses depois da aprovação do marco legal do mercado regulado de carbono, no fim de 2024.
Para o presidente da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, a regulamentação do mercado de carbono é um estímulo para possível ampliação do Projeto Muçununga. A nova lei pode incentivar a incorporação de novas áreas de restauração e pautar a agenda de investimentos da companhia. “O desenvolvimento trará referências de preços, fontes alternativas de financiamento, solidez à cadeia de abastecedores entre outros benefícios”, disse Capelastegui.
O presidente da Biomas, Fábio Sakamoto, ressaltou que o Brasil é um dos países com maior potencial de negócios de restauração de florestas, com espaço para atração de investimentos nas próximas décadas. Sakamoto também vê o mercado regulado de carbono como um atrativo para novas parcerias e avalia que a recuperação de biomas florestais é um negócio novo que caminha “a passos largos”.
“Nós atuamos no mercado voluntário e segurança jurídica é crítica para todo investidor, então a lei facilitou a atração deste capital e a formalização desta parceria.” O modelo de negócios, apontam os executivos, prevê que a venda de créditos de carbono gerados nas áreas recuperadas financie a restauração florestal. O Projeto Muçununga tem estimativa de gerar 525 mil créditos de carbono em 40 anos – ou 525 mil toneladas de CO2 removidas no período.
Capelastegui afirmou também que a restauração de florestas abre uma nova frente de negócios para a Neoenergia. O executivo explicou que os negócios florestais da Carbon2Nature Brasil podem permitir à Neoenergia oferecer aos clientes de energia a venda de créditos de carbono como produto para compensação de emissões de gases causadores do efeito estufa.
A Neoenergia, via Carbon2Nature, tem interesse em investir em negócios florestais em todas as regiões do país, acrescentou Capelastegui. “Acreditamos no potencial imenso do mercado brasileiro e avaliamos investimentos por meio de parcerias – a exemplo da Biomas – ou por iniciativas próprias, como desenvolvedores. Trabalhamos, por exemplo, no restauro de áreas onde estão instaladas nossas usinas de energia renovável”, disse Capelastegui.